Paciente de 60 anos, oriental
Neste artigo vamos apresentar um caso de um paciente com SAOS severa (IAH de 86 apnéias por hora de sono) com importante dessaturação do oxigênio arterial (SO2=53% onde o normal é acima de 90%) onde não foi possível utilizar um aparelho de pressão positiva (BiPAP) pois durante a titulação do aparelho, o paciente não tolerou a pressão utilizada e não houve resolução do caso na pressão tolerada pelo paciente. O médico responsável pelo caso orientou o paciente para procurar ajuda de um cirurgião dentista com experiência na área dos distúrbios do sono. Apesar dos aparelhos orais não terem ainda uma eficiência comprovada no tratamento dos pacientes graves, vários resultados positivos tem sido obtidos nesse tratamento.
Ao avaliarmos o paciente CS, masculino, nipônico, 60 anos com índice de massa corporal (IMC)=29,4, constatamos que o mesmo era muito sintomático, apresentando excessiva sonolência diurna (escala de Epworth = 24), cefaléia matinal, comprometimento cognitivo e intelectual, pouca disposição para o trabalho. Acordava para urinar muitas vezes (nicturia), apresentando inclusive situações comprometedoras no volante do carro, além de reclamações de sua esposa por não conseguir dormir por ronco alto e em grande quantidade e por preocupação pelas apneias apresentadas durante toda a noite, pois já havia um histórico na família com óbito por parada respiratória causada por apneia.
Na avaliação polissonográfica o paciente apresentou IAH=86 apnéias por hora de sono, saturação do oxigênio arterial com Nadir de 53% por um percentual significativo do tempo de sono, excessiva fragmentação do sono com ausência de sono de ondas lentas (Fases 3 e 4 NREM) e pouco sono REM (6,3% do tempo de sono onde o normal é 20 a 25%). Ao exame clínico, dentário e tomográfico (imagens 1 a 7)
Video-polissonografias : Neuro Sono (67)3025-2515
Imagens cedidas pela CROPP Radiologia Digital – Campo Grande-MS (67) 3384-5979
apresentava condições favoráveis para a utilização de aparelho oral. O aparelho foi montado usando-se 50% da protrusão máxima e depois em consultas subsequentes titulado em incrementos de 0,5mm até atingir 80% da protrusão máxima(Figuras 8 a 10). Nesse ponto encaminhamos o paciente para realizar nova polissonografia, onde obtivemos resultados mostrando alteração positiva nos parâmetros respiratórios com IAH chegando a 7,9 saturação de O2 com Nadir de 76% por um pequeno percentual do tempo de sono e de parametros de sono, com normalização da arquitetura do sono onde as fases 3 e 4 antes ausentes aparecem com 11,30% e a fase REM antes muito reduzida aparecendo com 25%. Após 45 dias de tratamento o paceinte relatou a remissão de vários sintomas como cefaléias e nictúria, bem como melhora na capacidade cognitiva e redução acentuada na sonolência diurna. Também o ronco foi reduzido drasticamente, não sendo mais motivo de perturbação para a esposa.